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POLÊMICA

Ibama recomenda análise conjunta de projeto de terras raras que incluem região de Andradas

Órgão federal aponta possíveis impactos ambientais da mineração no Planalto de Poços de Caldas

Publicado em 12/08/2026 às 12:00

Ibama defende estudos integrados antes do avanço dos empreendimentos (Foto: Ilustração)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu uma informação técnica na qual manifesta preocupação com os possíveis impactos ambientais relacionados aos projetos de mineração de terras raras na região. 

O órgão recomenda que os empreendimentos sejam avaliados de forma conjunta, considerando os efeitos acumulados e a interação entre as atividades.

A área analisada está inserida na cratera de Poços de Caldas, território de aproximadamente 800 km² que também abrange os municípios de Andradas, Caldas e Águas da Prata. Estimativas indicam que a região pode concentrar cerca de 300 milhões de toneladas de minerais.

Atualmente, dois projetos estão em processo de licenciamento ambiental pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam): o Caldeira, da Meteoric, em Caldas, e o Colossus, da Viridis, em Poços de Caldas. Os processos são analisados individualmente, mas o Ibama entende que a proximidade dos empreendimentos exige uma avaliação integrada.

Segundo o órgão federal, os projetos podem apresentar efeitos sobre recursos hídricos, biodiversidade e outros componentes ambientais. A preocupação envolve principalmente os chamados impactos cumulativos e sinérgicos, quando os efeitos de diferentes atividades podem se somar ou interagir.

O Ibama também aponta a existência de lacunas de informação e recomenda estudos mais abrangentes, incluindo a unidade de descomissionamento da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), antiga área de mineração de urânio localizada em Caldas e que possui passivo nuclear.

Embora não exista sobreposição física entre as áreas dos projetos de terras raras e as estruturas da antiga unidade da INB, o Ibama considera que a proximidade entre elas justifica uma análise conjunta, especialmente em relação aos recursos hídricos, à biodiversidade e ao passivo ambiental deixado pela antiga mineração.

Entre os riscos apontados pelo órgão estão a possibilidade de alteração do lençol freático e do fluxo de águas subterrâneas, devido ao consumo de água e às escavações profundas; impactos sobre a fauna em razão do desmatamento; e possíveis efeitos provocados por chuvas extremas, incluindo o transbordamento de águas ácidas para rios caso novas cavas sejam inundadas.

Pedido de suspensão

Após as recomendações apresentadas pelo Ibama, a Aliança em Prol da APA da Pedra Branca de Caldas encaminhou ofícios ao Ministério Público Federal e à Feam solicitando a suspensão imediata dos processos de licenciamento dos projetos da Viridis e da Meteoric até que seja realizada uma avaliação conjunta, acompanhada de perícia independente.

A associação também defende a realização de estudos sobre as águas subterrâneas e superficiais, a possível dispersão de contaminantes, os riscos geoquímicos e radiológicos, os impactos sobre a biodiversidade e a relação dos novos empreendimentos com as estruturas e os passivos da antiga mineração de urânio.

Fonte: André Vince

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