EM DEBATE
Ambientalistas cobram maior atuação do Estado em debate sobre terras raras na região
Audiência apontou alertas sobre impactos ambientais, com a presença de Andradas na área de exploração
Publicado em 11/05/2026 às 14:15
O avanço da exploração de terras raras no planalto de Poços de Caldas, tem gerado preocupação entre ambientalistas e especialistas, que defendem uma participação mais efetiva do Estado no controle desse tipo de atividade. O tema foi discutido em audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em Poços de Caldas.
A região, formada sobre a antiga cratera de um vulcão extinto há cerca de 80 milhões de anos e com cerca de 750 km², concentra importantes reservas de minerais estratégicos conhecidos como terras raras, usados em setores como tecnologia e indústria militar. O aumento do interesse de empresas após a identificação de uma das maiores jazidas do mundo na área intensificou o debate sobre regulação, soberania e impactos socioambientais.
Durante a audiência, participantes defenderam que o Brasil amplie estudos conduzidos por instituições públicas e adote um modelo de participação estatal na exploração desses recursos, semelhante ao adotado em outros setores estratégicos. A proposta foi apontada como forma de garantir maior controle social, segurança ambiental e retorno econômico mais equilibrado para a região.
Representando o Sindsema, Wallace Alves sugeriu a criação de uma estrutura estatal voltada ao setor, argumentando que isso permitiria mais controle sobre os impactos da mineração e sobre o destino dos recursos gerados.
As preocupações ambientais também foram destacadas por representantes de organizações da sociedade civil, que alertaram para riscos como aumento do tráfego de caminhões, possível pressão sobre os recursos hídricos, poeira e impactos em áreas sensíveis próximas a estruturas já existentes na região. Há ainda apreensão quanto aos efeitos indiretos sobre atividades econômicas tradicionais, como agricultura e turismo.
Empresas estrangeiras atuam em projetos de extração de terras raras na região, que abrange Poços de Caldas, Caldas, Andradas e Águas da Prata.
Apesar da relevância do tema, representantes das mineradoras convidadas não compareceram à audiência, o que gerou críticas dos participantes.
Fonte: André Vince (com informações da ALMG)
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